Mulheres Castradas e Sorvete de Baunilha

segunda-feira, 18 de junho de 2012 0 comentários

Talvez uma das coisas mais difíceis do ser humano conseguir é ter empatia, isto é, ter a capacidade de se colocar no lugar de outra pessoa para ver a vida sob o ângulo do outro.

É um processo bem complicado a pessoa precisa tirar cabeça de dentro de seu mundo e desafiar barreiras transportando-se para um mundo diferente do seu.

Essa situação se define melhor quando vistamos algum lugar fora do nosso habitat natural e temos que conviver com uma cultura diferente da nossa.

 Penso ser esse o caso de nós ocidentais. Muitas vezes não temos a capacidade de entender o mundo oriental com suas culturas diversificadas e suas tradições milenares. Pergunto: como entender um povo que castra suas mulheres, deixando-as mutiladas no corpo e na alma? Deve ser extremamente difícil para elas conseguir romper com os grilhões que as prendem e dar seu grito de liberdade.

Primeiro porque isso acarretaria uma espécie de expurgo da sociedade onde vivem. As que têm essa coragem normalmente são banidas de suas tribos ou grupos sociais, inclusive do familiar.

Segundo, porque esse tipo de ritual deve mexer fortemente com a auto-estima pois cabe a elas o único papel aceito nessa sociedade, o de reprodutora. Em um nível comparável ao da fêmea de qualquer outra espécie de animal. Sim, nada mais que animais reprodutores.

Seres sem vontade própria e sem o direito que lhes foi dado pela natureza de ter libido, de sentir prazer. Aquele pequeno pedaço de carne que muitas vezes é arrancado de seus corpos com os instrumentos cortantes mais rudimentares e da maneira mais desumana e dolorida que seríamos capazes de entender é também a fonte que traz junto com outras coisas o sentimento de poder vibrar com nossa sexualidade.

 Recentemente assisti uma vídeo palestra no TED com Even Ensler , “ Monólogos De Uma Vagina” Fiquei agradavelmente surpresa em saber que existem atualmente, grupos de mulheres que se rebelaram e tiveram a coragem de encarar o problema de frente com todas as conseqüências advindas desse ato. 

 Mulheres de Esperança! Por que que a esperança é uma das dores mais profundas que podemos ter, mas é o sentimento que nos faz seguir em frente.

Em um determinado momento da palestra a autora fala de um grupo de mulheres que se reúnem em um quartinho nos fundos da casa de alguma delas e nesse momento retiram o véu que as impedem de sentir a luz e a vida.

Por algumas horas deixam de ser apenas vultos negros, fantasmagóricos andando as margens da estrada da vida.

Nessas ocasiões, em um ato de rebeldia deliberada e compensadora, desafiam seus “donos” e comem potes e mais potes de um fruto também proibido naquela sociedade...o Sorvete de Creme.

Pasmem! É proibido comer .. Sorvete de Creme.

A sensação de prazer deve ser incomparável para mulheres sem direito ao prazer. Sentir aquele sabor doce, suave e geladinho escorrendo garganta abaixo no mais puro ritual de orgia pagã é um enorme ato de rebeldia.

Maravilhosas! 

Como a mente humana é fascinante e imprevisível! É capaz de transformar um ato tão normal para a maioria das mulheres em algo extremamente compensador.

Aplaudamos em pé essas incomparáveis guerreiras castradas e seu Sorvete de Baunilha!

Carol R.Cunha

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